
Qual é a primeira imagem que vem à sua mente ao pensar em um edifício com certificação LEED?
Se foi um edifício recém-inaugurado, cheirando a novo, espelhado e lotado de tecnologias, você não está errado. No entanto, edifícios muito antigos e com algum grau de tombamento por parte dos órgãos de proteção ao patrimônio histórico também podem receber certificações de sustentabilidade, como o LEED.
Existem diferentes caminhos para obter a certificação LEED em prédios históricos, dependendo do estado de conservação do imóvel e das intervenções permitidas pelos órgãos de patrimônio.
Inclusive, o edifício mais antigo do mundo com esse certificado fica em Veneza. Trata-se da sede da Universidade Ca’ Foscari de Veneza, um palácio gótico construído em 1453, localizado às margens do Grande Canal, no bairro de Dorsoduro.
Como funciona a certificação LEED em prédios históricos?
Independentemente do nível de tombamento, desde que o projeto respeite as diretrizes dos órgãos de patrimônio, qualquer edifício pode passar por um restauro completo. O objetivo é preservar as estruturas históricas originais e atualizar os sistemas prediais. No entanto, esse tipo de intervenção tem um custo elevado. Por esse motivo, o LEED BD+C atende edifícios novos ou reformas de grande porte.
Por outo lado, outra alternativa é certificar edifícios históricos em operação por meio da LEED O+M, voltada à operação e manutenção dos empreendimentos.
Mesmo edifícios históricos com os mais altos níveis de tombamento passaram por modificações ao longo das décadas de operação. Afinal, manter um edifício em funcionamento exige adaptações contínuas. Por exemplo, se imaginarmos um edifício construído em 1926, ao longo desses quase 100 anos foram substituídos componentes como lâmpadas e torneiras. Com isso, o consumo de água e energia fica mais próximo do observado nos edifícios atuais.
Os edifícios muito antigos eram projetados para uma época em que o uso de aparelhos de ar-condicionado não era comum. Além disso, costumavam ser construídos com paredes e lajes mais espessas, o que também ajudava a impedir a entrada de calor. Como resultado, essas características influenciam diretamente o desempenho energético das edificações.
Nesse contexto, essas características explicam os resultados observados na plataforma Arc, do LEED. Em uma mesma cidade e com padrão de ocupação semelhante, edifícios antigos podem atingir níveis de eficiência energética muito superiores aos de edifícios envidraçados mais recentes.
Assim, caso o edifício tenha monitoramento mensal do consumo de água e energia, um bom sistema de gestão de resíduos, com implantação de coleta seletiva e metas de desvio de aterro, o principal desafio passa a ser atender aos critérios de ventilação das normas mais recentes.
Ainda assim, as tecnologias atuais e o uso de ventiladores mais compactos permitem obter a certificação em prédios com altos níveis de tombamento.
Sendo assim, nossa equipe está preparada para realizar esses estudos e conduzir o processo de certificação LEED em edifícios históricos, conciliando preservação do patrimônio, eficiência operacional e sustentabilidade.
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